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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Marte vai ganhar anéis como os de Saturno

De acordo com um estudo publicado na revista 'Nature Geoscience', a lua Phobos irá se desintegrar e seus destroços vão criar um sistema de anéis ao redor do planeta daqui a cerca de 40 milhões de anos
Marte vai ganhar anéis como os de Saturno
Ilustração mostra Marte com o futuro sistema de anéis que resultará da destruição de sua maior lua, Phobos (Tushar Mittal/Divulgação)

Daqui a cerca de 40 milhões de anos, Marte será um planeta contornado por anéis, como Saturno. Isso deve acontecer quando Phobos, sua maior lua, for totalmente esfacelada e seus destroços irão criar um sistema de anéis ao redor de Marte. Eles permanecerão em órbita entre 1 milhão e 100 milhões de anos, de acordo com um estudo publicado nesta semana no periódico Nature Geoscience. De acordo com os pesquisadores da Universidade de Berkeley e do City College de Nova York, nos Estados Unidos, isso acontecerá porque Phobos está caindo lentamente em direção ao planeta vermelho. A cada cem anos, essa aproximação avança cerca de dois metros e, entre 20 milhões a 40 milhões de anos, a lua irá se chocar contra a superfície de Marte ou se esfacelar. O mais provável é que Phobos se rompa ao se aproximar da atmosfera marciana e os materiais que a formam, frágeis e de pouca densidade, criem sistemas de anéis ao redor do planeta.

Anéis marcianos – Segundo as previsões dos astrônomos, o aspecto dos futuros anéis e sua duração estão relacionados à distância que Phobos estará do planeta quanto se desintegrar. “Se a lua se desfizer a cerca de 680 quilômetros acima da superfície marciana (equivalente a 1,2 raio de Marte), ela formará um anel fino com uma densidade como a de um dos anéis mais maciços de Saturno. Com o tempo, este anel se espalhará e ficará mais largo atingindo o topo da atmosfera marciana em alguns poucos milhões e anos, quando então começará a perder material porque continuará caindo, continuamente, em Marte”, explica Tushar Mittal, um dos autores do estudo.

Mas, se Phobos se esfacelar a uma altitude ainda maior, os pesquisadores acreditam que os anéis possam durar até 100 milhões de anos, antes que “caia” completamente sobre Marte. De acordo com os cálculos dos cientistas, não é possível saber se os anéis serão visíveis da Terra, pois ao contrário dos cristais de gelo que compõem parte dos anéis de Saturno e refletem a luz solar, o material que irá compor os anéis de Marte não deverá ser muito brilhante. Porém, serão capazes de refletir a luz do Sol de maneira tal que tornarão o planeta ainda mais brilhante se visto da Terra.

“Daqui a dezenas de milhões de anos, será espetacular observar esses anéis da superfície de Marte”, disse Benjamin Black, outro autor do estudo. De acordo com os cientistas, o estudo de luas como Phobos é importante para compreender os movimentos cósmicos e as relações entre os planetas e suas luas. Como apenas os “gigantes gasosos” de nosso sistema solar têm anéis, este estudo sugere uma visão sobre o comportamento das luas migratórias que se autodestruíram no passado.
Fonte: VEJA.COM

O Universo pode estar repleto de buracos negros monstruosos

Astrônomos encontraram um buraco negro gigante em um local inesperado e acreditam que a descoberta pode ser uma pista de que objetos assim são mais comuns do que se acreditava
 buracos negros
Concepção artística de um buraco negro gigante, como o que foi encontrado pelos cientistas, com massa equivalente a 17 bilhões de Sóis (Observatório Astronômico de Xangai/Divulgação)

O Universo pode estar repleto de buracos negros gigantescos, sugere um novo estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature. A ideia veio após a descoberta de um buraco negro supermassivo (com massa equivalente a 17 bilhões de vezes a do Sol) em um lugar inesperado: o centro de uma galáxia que está em um local considerado isolado e tranquilo no Universo. As proporções do buraco negro e o local incomum onde se encontra podem ser uma pista que indica que esses “objetos monstruosos podem ser mais comuns do que se acreditava”, afirmou a Agência Espacial Europeia (ESA) em nota.

Até o momento, buracos negros supermassivos (aqueles com mais de 10 bilhões de vezes a massa do Sol) haviam sido vistos no centro de grandes galáxias que se localizam em grupos densos e agitados do Universo. Essa é a primeira vez que os astrônomos conseguem identificar um objeto assim em um local tão afastado e “sossegado”. A galáxia onde ele se encontra, chamada NGC 1600, está a 200 milhões de anos-luz (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros) e faz parte de um pequeno grupo de cerca de 20 galáxias na constelação Eridanus – uma região praticamente deserta em termos cósmicos.

“Mesmo que já tivéssemos evidências que essa galáxia pudesse abrigar um objeto extremo em seu centro ficamos muito surpresos de perceber que o buraco negro da NGC 1600 seja dez vezes mais massivo que o previsto”, afirmou Jens Thomas, pesquisador do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre e líder do estudo, em comunicado da ESA.

“Ponta do iceberg” – A grande questão levantada pela descoberta é que, se buracos negros monstruosos podem surgir em uma galáxia modesta como a NGC 1600 que, aparentemente, não faz parte de um grande agrupamento de galáxias, talvez os buracos negros gigantes não precisem de condições tão especiais para surgir: eles poderiam estar espalhados por diversos outros aglomerados menores de galáxias, algo relativamente comum pelo Universo.

“Há muitas galáxias do tamanho da NGC 1600 em grupos de galáxias medianos. Estimamos que esses grupos menores são certa de 50 vezes mais abundantes que os grandes, imensos grupos de galáxias. Então a questão agora é: essa é a ponta do iceberg? Talvez haja muito mais buracos negros monstruosos por aí”, afirmou Chung-Pei Ma, cientista da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e uma das autoras do estudo.

Para encontrar o novo buraco negro, os pesquisadores utilizaram o telescópio Hubble e o telescópio Gemini, no Havaí. Eles pretendem continuar as buscas com os instrumentos para verificar se descobrem em galáxias “comuns” como a NGC 1600 outros buracos negros supermassivos.
Fonte: VEJA .COM

Marte, lugar para viver em até cem anos

Marte, lugar para viver em até cem anos
Com um foguete gigante, acoplado a uma espaçonave maior ainda - que juntos alcançam 122 metros de altura e têm a capacidade de carregar 100 passageiros - o bilionário Elon Musk pretende iniciar a colonização de Marte. Sonho distante? Não pelos planos mirabolantes do engenheiro empreendedor que criou o motor Tesla (para automóveis elétricos) e foi cofundador do PayPal. Em apresentação do modelo de veículo espacial, desenvolvido pela sua empresa SpaceX, ele afirmou que será uma viagem possível nas próximas décadas, com uma jornada de apenas 80 dias. E, a partir dessa viagem, será possível construir uma cidade autossustentável em Marte de 40 a 100 anos.

— Temos duas possibilidades para o futuro. Uma é ficarmos para sempre na Terra e, em algum momento, um evento de extinção vai ocorrer. Outra é que nos tornemos uma civilização multiplanetária. No sonho de Musk, isso um dia será possível ao preço de uma casa mediana nos Estados Unidos - US$ 200 mil (cerca de R$ 650 mil na cotação atual). Mas, por enquanto, estamos falando de algo em torno de US$ 10 bilhões por pessoa.  Viabilizar essa "popularização" da viagem espacial, disse ele, é a razão pela qual junta dinheiro em suas múltiplos negócios tecnológicos (energia renovável, carro elétrico, transporte espacial). "Ao mostramos que isso é possível, que é um sonho real, acho que poderemos dar as condições para que se torne uma bola de neve com o passar do tempo. O principal motivo pelo qual eu acumulo recursos é para financiar isso", disse.

Mas alertou que os primeiros a vencerem a jornada terão de estar preparados para morrer. "Quem deveriam ser as pessoas a carregar a luz da humanidade para Marte por todos nós?", indagou alguém na plateia. "Acho que as primeiras viagens serão realmente perigosas. O risco de fatalidade será alto. Simplesmente não há maneira de contornar isso. Você está preparado para morrer? Se tudo bem para você isso, então você é um candidato", respondeu Musk, para depois contemporizar. "Mas não se trata de quem chegará primeiro. O que importa é criar uma civilização autossustentável em Marte o mais rapidamente possível."
Fonte: R7.COM

Espirais com uma história para contar

Esta bela imagem, capturada pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) mostra o disco protoplanetário que rodeia a jovem estrela Elias 2-27, situada a cerca de 450 anos-luz de distância. O ALMA descobriu e observou muitos discos protoplanetários, mas este é especial uma vez que mostra dois braços espirais distintos, quase como se fosse uma versão minúscula de uma galáxia espiral. Os astrônomos já tinham observado anteriormente características espirais nas superfícies de discos protoplanetários, no entanto não se sabia se estes mesmos padrões espirais emergiam também do interior dos discos onde ocorrem a formação planetária.

O ALMA observou pela primeira vez as profundezas do meio-plano de um disco e descobriu a assinatura clara de ondas de densidade espirais. Perto da estrela, o ALMA descobriu um disco achatado de poeira, que se estende até o que seria aproximadamente a órbita de Netuno no nosso Sistema Solar. Para lá deste ponto, na região análoga ao nosso Cinturão de Kuiper, o ALMA detectou uma faixa estreita com significativamente menos poeira, o que pode indicar a formação de um planeta. Os dois braços espirais nascem da borda exterior deste espaço vazio e estendem-se por mais de 10 bilhões de km depois da estrela hospedeira. A descoberta de ondas espirais a estas distâncias extremas pode ter implicações nas teorias de formação planetária.

O Adeus da Sonda Rosetta

O Adeus da Sonda Rosetta

Depois de seguir de perto o Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko por 786 dias, à medida que ele passeava ao redor do Sol, o impacto controlado da sonda Rosetta com a superfície do cometa foi confirmado pela perda de sinal da sonda no dia 30 de Setembro de 2016. Uma das imagens feitas durante a descida, essa imagem de alta resolução mostrada nesse post, mostra a bela paisagem do cometa. A cena se espalha por mais de 600 metros e foi registrada quando a sonda Rosetta estava a cerca de 16 quilômetros da superfície do cometa.

A descida da sonda Rosetta no cometa representou o fim da fase operacional de uma das missões mais espetaculares da exploração espacial. A Rosetta lançou um módulo de pouso na superfície de um dos mundos mais primordiais do Sistema Solar e testemunhou em primeira mão como o cometa muda quando está sujeito ao aumento da intensidade da radiação do Sol. A decisão de terminar a missão na superfície é um resultado da órbita do cometa que agora começará a ficar apagado à medida que chegará além da órbita de Júpiter, onde a a energia solar não será suficiente para que a sonda se mantenha operacional. Os operadores da missão enfrentaram problemas de comunicação com a sonda quando ela passou perto do Sol, e o alinhamento entre a Rosetta e a Terra não favorecia. Saudade Rosetta!!!

domingo, 2 de outubro de 2016

O parque dos buracos negros

O parque dos buracos negros
Estrelas com mais de dez vezes a massa do Sol costumam encerrar suas vidas em um ato espalhafatoso: uma explosão de supernova.Quando acaba o combustível que alimenta a fornalha em seu núcleo, as estrelas sofrem uma contração que de tão violenta, esmaga a matéria em seu interior. Mas a compressão violenta aumenta a temperatura interna mais violentamente ainda e as camadas externas são arremessadas para o espaço com velocidades incríveis. Muitas vezes, esse colapso do núcleo da estrela não é suportado pelas forças que agem nos núcleos dos átomos que constituem o gás e o que restou dela se transforma em um buraco negro. As explosões de supernova não são raras, mas também não acontecem toda hora, porque as estrelas que dão origem a elas são a minoria nas galáxias. Uma grande parte acaba virando uma anã branca mesmo, como vai acontecer com o Sol. Além disso, um buraco negro não emite luz, então não é possível encontra-los sem que eles estejam interagindo com alguma estrela, ou nuvem de gás. Mas um grupo de astrônomos da Universidade de Surrey, Inglaterra parece que encontrou um verdadeiro parque de buracos negros.
 
A equipe liderada por Miklos Peuten estudava o aglomerado globular NGC 6101, que está a 50 mil anos luz de distância em nossa galáxia, quando notou que as estrelas desse aglomerado não se comportavam como deviam. Um aglomerado globular, como o nome sugere, é composto por um amontoado de estrelas que mais parece um enxame de abelhas com forma esférica. E põe amontoado nisso, os aglomerados típicos têm centenas de milhares de estrelas. As estrelas de aglomerados globulares são velhas e frias, formadas quase ao mesmo tempo que a Via Láctea.
 
O grupo de Peuten achou estranho que as órbitas das estrelas do aglomerado eram perturbadas por objetos invisíveis e com muita massa, a senha para buracos negros. Até aí, beleza, já foram encontrados buracos negros em aglomerados globulares antes, mas as simulações das órbitas com a presença de um buraco negro não correspondia ao que era observado. Tentaram dois buracos negros, três, cinco,50, 100 e nada dava certo. Mas as coisas se encaixavam muito bem quando a equipe colocava 120  buracos negros nesse enxame de estrelas. Tão bem que conseguiram até retroceder 13 bilhões de anos no tempo e descobrir que em NGC 6101 havia 176 buracos negros no passado! 

Essa descoberta é impressionante, por dois motivos. O primeiro, em nenhum lugar da Galáxia foi encontrado mais do que uns poucos buracos negros juntos, ainda mais 120 em um volume tão pequeno de espaço. O segundo, por que as explosões de supernova que dão origem aos próprios buracos negros acabam por ejetá-los dos aglomerados, sobrando uns poucos exemplares. De quase duzentos buracos negros iniciais, ainda sobraram 120 em NGC 6101! Como explicar esse fato? 

Esse é o próximo passo da equipe da Universidade de Surrey, mas tudo indica que deve ter a ver com a distribuição desse buracos negros dentro do aglomerado. Mas uma coisa é certa, se aconteceu em NGC 6101, deve ter acontecido em outros aglomerados parecidos, o que faz a população desse tipo de objeto ser muito maior que o imaginado até agora. Além disso, buracos negros em movimento é tudo o que os detectores de ondas gravitacionais querem. Até agora, as ondas gravitacionais detectadas tiveram origem em colisões de buracos negros, eventos que liberam bastante energia, porém raros. Buracos negros orbitando uns aos outros em um aglomerado globular também geram ondas gravitacionais que podem ser detectadas de forma mais frequente, ajudando a compreender melhor esses objetos.
CRÉDITOS: CÁSSIO BARBOSA - G1

8 dúvidas sobre os buracos negros e seu funcionamento

Buraco Negro
No início deste mês, escrevi um artigo sobre as novas ideias de Stephen Hawking em relação ao que acontece com a matéria que cai em um buraco negro. Muitos leitores responderam com questões. Alguns queriam saber o que acontece no centro de um buraco negro. Há um buraco de minhoca para outro espaço e tempo, outro universo, outro Big Bang, outra dimensão?

A resposta curta e honesta: ninguém sabe.

Não temos nenhuma teoria aceita de gravidade quântica, e isso é necessário para explicar o que acontece quando a gravidade é muito intensa e as distâncias muito curtas, como em um buraco negro ou no Big Bang. Segundo as equações clássicas da relatividade geral de Albert Einstein, a densidade da matéria e a energia se tornam infinitas sob tais circunstâncias, mas quando a infinidade aparece em cálculos científicos é normalmente um sinal de que alguma coisa está estranha. É por isso que o trabalho dos teóricos continua. Enquanto isso, as pessoas estão livres para imaginar qualquer coisa. E aqui vão algumas das grandes questões que consegui responder.

Como poderíamos detectar se um buraco negro está ou não passando por nosso sistema solar? Ou pior, como poderíamos detectar se nosso sistema solar está ou não no processo de ser absorvido por um buraco negro.

Como tudo no universo, um buraco negro estaria em movimento, orbitando o centro da galáxia, por exemplo. Ou orbitando um ao outro, como no caso dos buracos negros que colidiram e foram detectados pelos astrônomos da LIGO no começo deste ano. O sistema solar e os planetas também estão em movimento constante. Na verdade, uma lição da relatividade de Einstein é que não há padrão absoluto para o resto do universo. Se um buraco negro aparecer ou nós chegarmos perto de um, perceberíamos sua gravidade perturbando os planetas e as aeronaves. E, se ele passasse em frente de, por exemplo, Saturno, veríamos o planeta e seus anéis distorcidos.

Seria possível que alguém orbitasse brevemente (da sua própria perspectiva) um buraco negro supermassivo e "saltasse" milhões de anos no futuro?

Sim. Como foi mostrado no filme "Interestelar", o tempo parece andar mais devagar para alguém que está imerso em um campo gravitacional poderoso. Então, você poderia chegar perto de um grande buraco negro e o que pareceriam poucas horas para você poderiam ser milhares de anos para alguém observando de longe. Na verdade essa é a base da história de "Icarus at the Edge of Time" (Ícaro na Borda do Tempo), livro e filme de Brian Greene, físico da Universidade Colúmbia e empresário do Festival Mundial de Ciências.

Os buracos negros poderiam ser as sementes das galáxias?

É verdade que, até onde sabemos, todas as grandes galáxias abrigam um ou mais buracos negros supermassivos – com peso de milhões ou até bilhões de vezes a massa do Sol – em seu coração. Enquanto isso, parece haver uma correlação aproximada entre as massas desses buracos negros e as massas das galáxias em que vivem. Quando maior a galáxia, maior o buraco negro. Ninguém sabe o motivo.

O que determina o tempo de vida de um buraco negro? Já conseguimos gravar a explosão final de algum?

Ainda não vimos um buraco negro explodir. Até agora. Segundo a matemática de Hawking, a temperatura de um buraco negro é inversamente proporcional a sua massa. Assim, quanto menor ele for, mais quente será. Para objetos da astrofísica normal isso seria insignificante. Um buraco negro com a mesma massa do Sol irradiaria uma temperatura de cerca de 600 bilionésimos de Kelvin – mais frio do que qualquer um de nós já sentimos. Não perceberíamos isso – agora.

Mas esse é um processo de fuga. Enquanto um buraco negro desse tamanho irradia, ele encolhe ligeiramente e assim fica mais quente, o que faz com que encolha mais rapidamente e fique mais quente, e assim por diante até o fim dos tempos.

Um buraco negro de bilhões de toneladas (mais ou menos o tamanho de um pequeno asteroide) que pode ter sido espremido até passar a existir por uma pressão imensa do Big Bang estaria extremamente quente hoje, cuspindo raios gama a uma temperatura de 100 bilhões de graus. Os astrônomos pesquisaram o céu atrás de evidências de sua existência, mas não encontraram nada. O que não quer dizer que não existam. Eles poderiam estar muito longe ou em número muito pequeno para se destacar sobre os ruídos do universo e para ser registrados nos equipamento que temos hoje.

Se a matemática é usada para entender a física, qual a diferença entre os dois campos e como os físicos veem isso de modo diferente dos matemáticos?

É um dos grandes mistérios da natureza (sei que já usei muito essa frase) que a matemática funcione tão bem para descrever a física. O físico quântico Eugene Wigner se referiu à "eficiência irracional" da matemática. Parte disso parece milagroso, como quando o físico britânico Paul Dirac escreveu uma equação para o elétron em 1928 e descobriu que ela possuía duas soluções – uma com uma carga negativa, como os elétrons que já conhecíamos e amávamos, e a outra com uma carga positiva, que nunca havia sido observada, mas acabaria sendo. Essa equação previu a existência da antimatéria.
 
Sempre fico empolgado com o conceito da física quântica do entrelaçamento de partículas. "A ação assustadora à distância", para parafrasear Einstein, permite que duas partículas entrelaçadas "informem" uma à outra sem estarem fisicamente conectadas. Se uma partícula entrelaçada cai em um buraco negro, poderia conseguir informação de fora vendo a outra partícula entrelaçada que não está no buraco?

Essa é uma pergunta boa e assustadora.
Isso não apenas pode acontecer, mas é aparentemente necessário para que a informação escape de um buraco negro. Infelizmente, a partícula fora do horizonte de eventos – a fronteira invisível que é o ponto sem retorno do buraco negro – também precisa estar entrelaçada com outra partícula que já surgiu do buraco negro, e as leis da mecânica quântica impedem esse tipo de arranjo promíscuo, o que leva a um paradoxo e à possibilidade de que exista uma barreira na borda do buraco negro.

Não há nada que impeça que os buracos negros se fundam, mas como é possível tornar um buraco negro maior com estrelas engolidas quando todos os observadores possíveis estão do lado de fora?

Os observadores externos vão ver qualquer coisa que caia em um buraco negro basicamente congelar no horizonte de eventos. O termo original para esses objetos era "estrela congelada". Mas seu campo gravitacional ainda está lá, como um fantasma da estrela que desapareceu. Assim, qualquer coisa que caia em um buraco negro apenas adiciona sua própria gravidade ao que estava lá antes. Dessa forma, o "buraco" fica maior ao longo do tempo à medida que seu campo aumenta.

Meu entendimento da Radiação de Hawking é que a espuma quântica surge com sua existência normalmente evanescente exatamente no horizonte de eventos, mas antes que se dissolva de volta para o nada, uma parte é sugada e outra, explodida no espaço. O que eu não entendo é por que isso pode fazer com que o buraco negro evapore.

Existem várias maneiras de visualizar um processo de vazamento de um buraco negro. Uma das minhas favoritas é a de Dennis Sciama, o mentor de Hawking, que disse que por causa da incerteza quântica, a localização exata do horizonte de eventos – a casca esférica no espaço que delineia o ponto sem retorno – seria incerta e flutuaria ou se agitaria como resultado. Essa agitação no forte campo gravitacional poderia custar toda a energia e, consequentemente, a massa. O próprio Hawking imagina um par de partículas virtuais, que estão constantemente surgindo por um curto período a partir de energia emprestada do campo gravitacional de um buraco negro. Se uma delas cai dentro do buraco negro, sua energia é devolvida; mas a outra então pode fugir, e sua energia não volta. Como resultado, o buraco negro perde uma pequena quantidade de massa em cada uma dessas transações, da mesma maneira que um hacker que suga uma fração de centavo por vez de transações bancárias pode acabar juntando uma fortuna.
FONTE: Dennis Overbye - UOL

Traduzido Por: Astronomia - Ciencia - Designed by Ciencia e Astronomia